domingo, 26 de dezembro de 2021

Em 2022 desejo um tsunami de democracia!

 

Em 2022 desejo um tsunami de democracia!

 

“Agosto de 1939: o mundo entra em pânico. Nas embaixadas e cancelarias nos palácios presidenciais e ministeriais, portas são batidas diante da guerra iminente. O acordo de Munique foi ratificado no ano anterior, sem que a tensão entre as nações diminuísse de maneira duradoura. Após invadir a Áustria e o território dos Sudetos, Hitler ameaça a Polônia. Em 23 de agosto, para espanto geral, ele assina um pacto de não agressão com Moscou”.(FRANK, Dan. Paris ocupada: os aventureiros da arte moderna (1940-1944). Porto Alegre: L&PM Editores, 2017, p. 11).

 

            São tempos estranhos, estes que vivemos, quando pensamos na história e observamos o avanço do nazismo sobre as nações. O totalitarismo ganhou o espaço da democracia. A década de 1930 testemunhou o crescimento e fortalecimento do obscurantismo nos quatro cantos da terra. Uma invasão bélica, o caso polonês, apenas coroou o imaginário de milhares de adeptos do nazismo liderado por Adolf Hitler e companhia. A lógica do totalitarismo provocou uma onda a devastar, como um tsunami, os governos democráticos.

            Atualmente essa onda totalitária lança seus tentáculos nos diversos grupos sociais, em uma verdadeira explosão de ódio contra os ideais democráticos/humanistas. Faz necessário ficarmos em alerta. Diante das ameaças a democracia, não podemos tergiversar. Não se negocia princípios democráticos. Neste sentido surfar nas ondas totalitárias é contribuir para a construção de novas “câmaras de gás”. O historiador norte-americano Timothy Snyder, sentencia:

Se os advogados tivessem seguido a norma que proibia execuções sem julgamento, se os médicos tivessem obedecido à regra que proíbe cirurgias sem consentimento, se os executivos tivessem endossado a proibição da escravidão e os burocratas tivessem se recusado a processar a documentação que envolvia os assassinatos, o regime nazista teria enfrentado muito mais dificuldades para dar cabo das atrocidades pelas quais é lembrado. (SNYDER, Timothy. Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente. São Paulo: Companhia das Letras, 2017, p. 39).

            Esse é nosso papel de ficamos atentos aos ataques contra as instituições democráticas. O nosso tempo é um tempo de risco. Tempos que nos fazem lembrar o “Admirável mundo novo”.

- O ensino pelo sono chegou a ser proibido na Inglaterra. Havia uma coisa chamada liberalismo. O Parlamento, se é que os senhores sabem o que era isso, votou uma lei contra ele. Conservaram-se as atas das sessões. Discursos sobre liberdade do indivíduo. A liberdade de ser ineficiente e infeliz. A liberdade de ser um parafuso redondo num buraco quadrado. (HUXLEY, Aldous. Admirável mundo novo. São Paulo: Globo, 2020, p. 69).

            Aqui, apenas uma inquietação em busca de uma onda de resistência democrática no ano que se avizinha. Venha 2022, venha e traga um tsunami de DEMOCRACIA.

Professor Luciano Capistrano



sexta-feira, 8 de outubro de 2021

JANELA PARA O AMANHÃ (Aluízio Alves)


JANELA PARA O AMANHÃ (Aluízio Alves)
Este é um excelente documentário a dizer da cidade de Natal e das relações de poderes. 
Valeu muito para refletirmos sobre a formação do estado brasileiro!

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Memórias, fotografias e cinemas... divagações.

         Caminhar no bairro do Alecrim, o bairro da feira e do um comercio popular pujante da cidade de Natal, sempre é ir ao encontro de novos encantos. A Praça Gentil Ferreira, cenário de grandes eventos artísticos/políticos, com o Relógio marcador do tempo, provavelmente é um dos lugares que mais representa simbolicamente o antigo “Cais do Sertão”. 

        O alecrim guarda em cada avenida numerada, em cada esquina, memórias da urbe. Os vendedores a nos convidar a entrar nas lojas, diversas, como diverso é o comércio, e, os camelôs a disputar espaços nas ruas e calçadas, fazem do bairro uma espécie de caldeirão socioeconômico. Ao olhar o retrovisor do tempo, me delicio com fotografias e testemunhos orais, de registros do Alecrim dos cinemas de ruas. A avenida 2, nas mediações do Relógio ao Banco do Brasil, na década de 1950/1960, era palco, nas tardes de domingo, do encontro de jovens amantes do cinema e das revistas em quadrinhos, sedentos pela “Sétima Arte”, se encontravam no “Palácio Encantado do Alecrim”, o Cine São Luiz, como nos informa o pesquisador Anchieta Fernandes em seu clássico “Ecran natalense”, publicado pelo Sebo Vermelho em 1992. O cinema São Luiz encerrou suas atividades em 7 de março de 1974, em seu lugar foi instalado uma agência do Banco do Brasil. 

      Foto: Emerenciano Jaeci Galvão – Cine São Luiz – acervo IBGE

        Hoje nos encanta vê antigas fotografias, graças a fotógrafos como Jaecy , registros de um tempo não mais presente. É assim a memória: Vivemos as mais variadas coisas, lembramos algumas, esquecemos tantas outras, refletimos, na maioria das vezes, a partir do lembrado sobre o vivido, sem necessariamente controlar o que queremos ou devemos lembrar sobre ele. Muitas vivências deixamos de lado e apagamos, por mecanismos conscientes e inconscientes [...] Uma música, uma foto, um texto, alegrias ou traumas inusitados podem nos fazer lembrar. A essa operação, contínua e inevitável, de alternância entre lembranças e esquecimentos, chamamos de memória. Somos constituídos – nossos valores, comportamentos e ações – pela nossa memória. Se podemos aprender a partir de tantas vivências, esse aprendizado como experiência se faz por meio da memória. (FERNANDES, Rui Aniceto Nascimento [et al.].  História e patrimônio: Rio Bonito. Rio de Janeiro: Mauad X : Faperj, 2014, p.8).

Das ruas às redes: Quinta da história

Gestores do Centro Histórico de Natal

Natal Nostálgica

@luciano_capistrano

A cidade: feitura de usos e abusos.

 

        A cidade é um conjunto de épocas expressas nas fachadas de suas edificações e traçado de suas ruas.  O transeunte no seu “corre-corre” diário a labutar pelo pão de cada dia não percebe os significados e as transformações ocorridas no espaço público. O ônibus lotado, o trânsito caótico, a insegurança...os espaços moldados ao longo do tempo guardam “movimentos” de interesses no redesenho da urbe. Assim pensa o historiador Wesley Garcia: 

A cidade, a partir dos usos diferenciados dos seus espaços, vai se constituindo, não apenas em termos da sua morfologia, de sua materialidade, da construção de moradias em determinadas áreas, por exemplo, mas também dos significados e dos valores atribuídos aos seus diferentes territórios. Assim, a cidade vai se reproduzindo de forma desigual, contraditória, como produto apropriado diferentemente pelos diversos sujeitos e grupos sociais. (SILVA, Wesley Garcia Ribeiro. Cartografia dos tempos urbanos: representações, cultura e poder na Cidade do Natal – década de 1960 -. Natal: EDUFRN, 2011, p.86). 

   Vista do alto: Igreja Presbiteriana e sede da Prefitura de Natal - Foto: Luciano Capistrano


        Do alto, a Igreja Presbiteriana e a sede da Prefeitura de Natal, edificações do século XIX e XX, respectivamente, construídas com finalidades distintas, ainda a manter suas funções originais, são representações de poderes religiosos e políticos, simbolicamente, podemos inferir, são fazedores do espaço urbano. A cidade de Natal tem em sua feitura territorial o “retrato” das disputas dos diversos segmentos da sociedade. O Professor Pedro de Lima, faz uma referencia ao Plano Polidrelli como exemplo do desejo da elite em segregar: 

[...] o Plano Polidrelli superaria o antigo desenho irregular originário da cidade colonial, onde as classes sociais conviviam, praticamente, no mesmo espaço ou guardando uma certa contiguidade [...] serviria como um refúgio, onde as classes dominantes poderiam se proteger do contato com as péssimas condições ambientais e das epidemias que, então, grassavam pela cidade. (LIMA, Pedro de. Arquitetura no Rio Grande do Norte: uma introdução. Natal: Cooperativa Cultural Universitária, 2002, p.71).

         A urbe vista de cima encanta ao tempo que provoca reflexões sobre sua feitura de usos e abusos.

Das ruas às redes: Quinta da História
Gestores do Centro Histórico
Natal Nostálgica
@luciano_capistrano

domingo, 7 de março de 2021

Cine Nordeste – Para além de uma saudosa memória dos cinemas de rua

 Cine Nordeste – Para além de uma

saudosa memória dos cinemas de rua

 

“No escurinho do cinema

Chupando drops de anis

Longe de qualquer problema

Perto de um final feliz”.

No rádio ouço Rita Lee, “Flagra”. Talvez embalado pelo som da nostalgia, nestes tempos pandêmicos as emoções ficam mais latentes, a flor da pele. Fiquei a pensar sobre os “cinemas de ruas”, eu que gosto de andar por ruas e becos da urbe, me vi diante do antigo Cine Nordeste, na rua João Pessoa, nas proximidades da Praça Kennedy e Praça Padre João Maria, ali, passei várias tardes de domingo. Hoje o prédio, fechado, tem embaixo de sua marquise a “cama” dos desvalidos, dos muitas vezes invisíveis sociais. O Cinema Nordeste, empreendimento da Cireda, foi inaugurado em 20 de dezembro de 1958, um marco na história das salas de cinemas em Natal. O Cinema Nordeste, foi o primeiro a ter um sistema de ar condicionado. Durante muitos anos a Sorveteria Oásis, vizinho ao cine, era o “point” pós filmes. Hoje a edificação guarda para as gerações das décadas de 1950 á 1980, memórias afetivas das exibições na grande tela aos “flagras” quando as luzes acendiam. Tempo, tempo, tempo... Hoje não encontramos os “cinemas de ruas”, mas antigos problemas sociais pulsam. Anchieta Fernandes, em seu clássico “Écran Natalense”, reproduz uma nota publicada no jornal A República, assinada por R. X.: “... os mendigos importunavam as pessoas que ali vão tomar um refrigerante, um sorvete ou outra coisa e, isso recomenda mal a direção da sorveteria e a própria Cidade.” Cine Nordeste – Para além de uma saudosa memória dos cinemas de rua, antigos problemas a desafiar a urbe do tempo presente.

 (Referência: CAPISTRANO, Luciano Fábio Dantas. Divagações: memória, fotografia e história. Natal: Sebo Vermelho, 2019; FERNANDES, Anchieta. Écran Natalense: Capítulos da história do cinema em Natal. Natal: Sebo Vermelho, 2007).

Projeto: Das ruas às redes: Quinta da história.

(Foto e texto: Professor Luciano Capistrano)

   Prédio do Antigo Cinema Nordeste - Foto Luciano Capistrano/2021

segunda-feira, 1 de março de 2021

Do alto da Torre: Um Memorial dos Potiguara, por que não?

 Do alto da Torre:

Um Memorial dos Potiguara, por que não?

 

O que guardamos da presença dos povos originários? Ao caminhar pela urbe onde encontramos vestígios dos Potiguara? A um silenciamento sobre os povos Potiguara, para além do patrono da sede da Prefeitura, Palacio Felipe Camarão, a cidade cresceu, urbanizou seus espaços, construiu monumentos de “padra e cal” e os lugares dos aldeamentos ficaram embaixo do tapete de uma vergonha não dita em sermos herdeiros dos primeiros habitantes da Capitania do Rio Grande. A conquista dos ibéricos não ocorreu de forma pacifica. Aqui foi cenário de conflitos violentos, entre portugueses e nativos. “Do aprisionamento dos Potiguara durante a conquista entre 1597 e 1598, [...] Em apenas uma aldeia nas proximidades do Forte, os soldados ‘... mataram mais de quatrocentos potiguares e cativaram oitenta...’”. (LOPES, 2003, p.63). Sobre a localização do último aldeamento Potiguara nos informa o Professor Olavo de Medeiros Filho: “...na Aldeia Velha, o Outeiro do Minhoto, à margem esquerda do Potengi ...” Este local é hoje o Alto da Torre, localizado no bairro Salinas. Uma região repleta de raízes históricas, cortadas por gamboas, com seus mangues e olheiros a brotar água da terra. Tem na região da antiga aldeia de Felipe Camarão e Clara Camarão, uma iniciativa importante para o turismo cultural a “Gamboa do Jaguaribe”. E o que mais poderia ser realizado em memória dos Potiguara? Cadê o orgulho de ser descendente dos nativos? Se desmanchou no ar, o “Tal orgulho tão decantado foi substituído pelo total e mais terrífico e destrutivo dos silêncios: o do esquecimento. Recusa-se, assim, a memória de antepassados heroicos e dignos de lembrança, culto, respeito e veneração.” (SPENCER, 2010, p.232).  Do alto da Torre: um Memorial dos Potiguara, por que não?

(Referência: LOPES, Fátima Martins. Índios, colonos e missionários na Capitania do Rio Grande do Norte. Mossoró: Fundação Vingt-um Rosado; IHGRN, 2003; MEDEIROS FILHO, Olavo de. Aconteceu na Capitania do Rio Grande. Natal: Dept. Estadual de Imprensa, 1997; SPENCER, Walner Barros. Ecos do silêncio. Natal: Sebo Vermelho, 2010).

Projeto: Das ruas às redes: Quinta da história.

(Foto e texto: Professor Luciano Capistrano)

    Foto: Luciano Capistrano - Ao longe o Alto da Torre.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Hospital Infantil Varela Santiago

 Hospital Infantil Varela Santiago

 

Na avenida Deodoro, bairro da Cidade Alta, localiza-se o Hospital Infantil Dr. Varela Santiago. Um lugar de amor e cuidados com as crianças da cidade de Natal. Uma edificação nascida da ação benemérita de seu patrono. Dr. Varela Santiago, é um desses seres iluminados, médico, nascido no munícipio de Touros, 28/04/1885, falecido em Natal, 15/07/1977, fez da medicina seu sacerdócio em defesa da vida. Nas palavras do médico Clóvis Travassos Sarinho, o dr. Varela Santiago: “[...] modelo de cidadão e de médico não cuidou apenas da criança pobre do seu Estado, o que seria suficiente para situá-lo na galeria dos mais ilustres filhos do Rio Grande do Norte. O seu nome está ainda ligado a outras instituições da saúde e da educação em nossa terra, sendo de destacar a contribuição decisiva que sempre soube dar com devotamento e abnegação àquelas entidades que contaram com seu saber e sua inteligência.” (SARINHO, 1995, p.125). No dia 12 de outubro de 1936 nasceu o Hospital Infantil, desde então, tem cumprido sua missão de “cuidar e sarar” as dores dos “infantis”. Lugar de acolhida. Sua arquitetura com colunas, valoriza a entrada dando ao prédio um ar de grandeza, onipotência. Sua fachada é bem preservada um bom exemplo de adaptação das normas e tecnologias sem modificar as linhas arquitetônicas originais. Em 12 de outubro de 1954 deixava a direção do Instituto de Proteção e Assistência à Infância o Dr. Varela Santiago, e, o Hospital recebia seu nome numa bela e justa homenagem.

(Referência: CAPISTRANO, Luciano Fábio Dantas. Divagações: memória, fotografia e história. Natal: Sebo Vermelho, 2019; SARINHO, Clóvis Travassos. Fatos, episódios e datas que a memória gravou. Natal: Nordeste Gráfica, 1991).

Projeto: Das ruas às redes: Quinta da história.

(Foto e texto: Professor Luciano Capistrano)

    Foto: Luciano Capistrano - Hospital Infantil Varela Santiago.

A esperança se vestiu de cinza.

  A esperança se vestiu de cinza.               Aqui faço um recorte de algumas leituras que de alguma forma dialogam sobre os efeitos noc...