domingo, 24 de setembro de 2017
sexta-feira, 22 de setembro de 2017
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
sábado, 9 de setembro de 2017
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Brasil: Independência ou morte, seja um brando de fortalecimento dos caminhos democráticos.
Brasil:
Independência ou morte, seja um brando de fortalecimento dos
caminhos democráticos.
Luciano
Capistrano
Especialista
em História e Cultura Afro-brasileira e Africana/UFRN
Professor:
Escola Estadual Myriam Coeli
Historiador:
SEMURB/Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte
Que
País é Esse?
(Renato
Russo)
Nas
favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
No Amazonas, no Araguaia
Na Baixada Fluminense
No Mato Grosso e nas Gerais
E no Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso
Mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Terceiro Mundo se for piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
No Amazonas, no Araguaia
Na Baixada Fluminense
No Mato Grosso e nas Gerais
E no Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso
Mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Terceiro Mundo se for piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Na
década de 1980, ventos originários da capital federal, Brasília,
trazia a sonoridade do rock brasileiro, entre os diversos grupos,
“crias” das esplanadas, surgia o Legião Urbana. Do Aborto
Elétrico vinha Renato Russo, com uma das letras, que logo, logo, se
transformaram em hino de uma geração que aspirava por liberdade. O
Brasil, iniciava de forma afirmativa, com as mobilizações de rua, sua caminhada na estrada de restauração
da democracia, perdida durante os 21 anos de governos dos generais
presidentes.
Lembro
da Campanha das Diretas Já.
O
ano 1984, a Emenda a Constituição, apresentada pelo Deputado Dante
de Oliveira, ganha as ruas e praças deste país, o povo na rua,
mobiliza-se a sociedade. Multidões, rompe-se o silêncio, a CNBB, a
OAB, a ABI, e outras Instituições da sociedade se alinham no
discurso em favor da Emenda Dante de Oliveira.
Das
Praças ecoa o grito: Diretas Já! Existia um desejo por democracia a
unir os diversos espectros políticos ideológicos da sociedade
brasileira, como nos diz o historiador Carlos Fico:
[…] No Rio de Janeiro, quando Sobral Pinto iniciou seu discurso citando o artigo primeiro da Constituição (“Todo o poder emana do povo e em seu nome é exercido!”), o povo foi ao delírio. A presença de Sobral era emblemática: nonagenário, ele era um católico liberal, distante do radicalismo da esquerda. Havia defendido o líder comunista Luís Carlos Prestes após a rebelião de 1935 mesmo discordando dele. Representou, naquele momento da Campanha das Diretas, a união da sociedade brasileira em torno do mais básico princípio democrático: os cidadãos devem escolher seu mandatário, independentemente das ideologias políticas que os reunissem em defesa desse pressuposto elementar. (FICO, Carlos. História do Brasil Contemporâneo: da morte de Vargas aos dias atuais. São Paulo: Editora Contexto, p.101, 2015)
Em
abril de 1984, na Praça Gentil Ferreira, vivi com meu pai, Benjamin
Capistrano Filho, um dos momentos mais impactantes, milhares de
pessoas, lotando a Avenida Amaro Barreto, a Avenida Presidente
Bandeira, o Relógio, símbolo do Alecrim, testemunhou a euforia, o
grito, recolhido, proibido, era posto para fora, vi meu pai,
perseguido pelos governos militares, chorar de alegria, alegria em
ver a liberdade se expressar naquela manifestação política, ali,
naquele momento, me convenci mais, e, mais da preciosidade que é
viver em um país democrático.
Ao
lembrar da Campanha das Diretas Já, me vem o discurso, dito por
alguns mal intencionados e outros desavisados, que vociferam
“Intervenção Militar já”, amigo velho, o processo de
democratização do Brasil não ocorreu de forma fácil, apesar da
chamada, “Abertura Lenta, Gradual e Segura”, defendida durante o
governo do General Presidente Geisel, os órgãos de repressão
política continuavam em ação, um xadrez político complicado de
ser desarmado era o lado “duro” dos militares que defendiam a
permanência do arcabouço jurídico/repressivo aos moldes do Ato
Institucional 5. Não, esqueçamos do atentado do Rio Center, quando
militares ligados aos setores radicais da direita militar, levavam
explosivos para serem detonados no show do primeiro de maio,
felizmente o artefato explodiu no “colo” de um dos terroristas
“verde-oliva”.
A
crise política, de hoje, guardada as devidas diferenças, tem alguns
fatores que lembram os anos anteriores ao abril de 1964, quando os
militares e civis, filiados aos interesses norte-americano, como
testemunhou o embaixador dos EUA, a época, Lincool Gordon, romperam
o processo democrático e implantaram uma ditadura civil-militar,
1964-1985.
Existe uma crise, sim, mas, como costumo dizer: existe apenas uma saída, e,
a saída, amigo velho, é uma OVERDOSE de DEMOCRACIA.
O
perigo dos momentos de crises, éticas, políticas, econômicas, são
os “salvadores da pátria”, como nos alertou o Deputado Ulisses
Guimarães, quando da proclamação da Constituição de 1988:
"República
suja pela corrupção impune tomba nas mãos de demagogos, que, a
pretexto de salvá-la, a tiranizam.”
Ao aproximar do fim deste curto artigo, sem ser conclusivo, mas apenas um convite ao diálogo, deixo, para as muitas reflexões, um fragmento do “Funk da Lama” de Zeca
Baleiro:
“Tanto
faz se é Demóstenes
ou Palocci
Se é Fabio Melo ou Marcelo Rossi
Você vai ter que responder pelo o que faz,
Você vai ter que responder pelo o que diz ...”
ou Palocci
Se é Fabio Melo ou Marcelo Rossi
Você vai ter que responder pelo o que faz,
Você vai ter que responder pelo o que diz ...”
terça-feira, 29 de agosto de 2017
Redinha: os caminhos de preservação da história para além da Antiga Ponte de Igapó.
Redinha:
os
caminhos de preservação da história para além da Antiga Ponte de
Igapó.
Luciano
Capistrano
Professor:
Escola Estadual Myriam Coeli
Historiador:
Parque da Cidade
Redinha
II
Nostalgia
ventos livres jangadas ao mar
capelinha
de Nossa Senhora dos Navegantes
olha
a partida, pescadores na madrugada a navegar
ao
longe se distancia da praia, vence o quebra mar
entre
o céu e o mar, as ondas levam os homens a navegar!
Nostalgia
saborear uma ginga com tapioca
no
mercado da Redinha na beira mar
longe
do outro lado do rio, ver a Fortaleza dos Reis Magos,
e
a Ponte Newton Navarro, o antigo e o moderno a dialogar.
Ginga
com tapioca de seu Januário, tradição se fez
de
Dalila a dona Ivanize, põe azeite de dendê,
rala
coco, salga o peixe, como é bom saborear
ginga
com tapioca na beira do mar.
Nostalgia
festa do caju , procissão, barcos ao mar
clube
de pedras domingueiras a bailar,
Os
Cão na lama se fizeram
brincantes
invadem a Redinha velha
folia
de Momo até o Baiacu na vara passar.
Nostalgia
Redinha do rio Doce, da África
à
Redinha Nova, carnavais e verões
marchinhas
e as bandas de metais soprando ritmos
brasilidade
pulsante, nativos e veranistas
amantes
da Redinha dos meus
amores.
(Luciano
Capistrano)
Minha
adolescência, e, início da idade adulta, foi marcada por idas a
praia da Redinha, morador do Conjunto Santa Catarina, desde sempre
fui um frequentador assíduo, cheguei a pular no trapiche, guardo
boas lembranças da terra de Nossa Senhora dos Navegantes. Sim, e,
ainda morei naquela praia da saborosa “GINGA COM TAPIOCA”.
A
praia da Redinha tem, para o povo católico, a proteção de Nossa
Senhora dos Navegantes, padroeira e protetora dos pescadores. Em
1925, foi erguida olhando o mar, a Capelinha, no alto observa
a saída e chegada dos pescadores.
![]() |
| Capelinha dos Pescadores - Praia da Redinha |
A
Redinha da ginga com tapioca é uma tradição que vem de longe,
desde as décadas de 1950 / 1960, com o senhor Geraldo Januário, que
era marchante de peixe e fez essa iguaria, assim, passando para a
família a receita até as gerações atuais:
Para começar a entendê-la, nada melhor do que prepará-la e saboreá-la. Tratar, temperar os peixes com sal, espetá-los em palitos de coqueiros, colocar um pouco de farinha de mandioca para grudar e fritá-lo em azeite de dendê. Para a tapioca, peneirar a goma, colocar sal, ralar o coco, misturá-lo à goma, colocar em frigideira, e por fim colocar o peixe dentro da tapioca, como um sanduíche. Este é o modo de preparo da ginga com tapioca, desde sua origem, e se perpetuar até hoje, conforme nos contou D. Ivanize em entrevista. (DANTAS, Rebekka Fernandes. Ginga com tapioca: de Dalila a Ivanize, das origens à atualidade. Natal: Sebo Vermelho, 2015, p. 33)
A
Redinha, tem uma ocupação que remonta ao século XVII, praia da
região norte de Natal, limita-se
com os bairros Potengi, Salinas e Pajuçara, e, também com o
município de Extremoz. Tem ainda suas terras banhadas pelas águas
do rio Doce, Potengi e o mar. Com uma população de aproximadamente
20 mil habitantes, a Redinha é um lugar de muita beleza.
Redinha
Redinha
dos mares
Da
capelinha
Igrejinha
de pedra
Rogai
Nossa Senhora
Pescadores
Navegantes saem
As
jangadas ao mar
Vento
sopra a vela
Faz
embarcação navegar
Vencer
as ondas
Transpor
o quebra-mar
Cotidiano
de sol
Sobreviventes
jogam a rede
Trazem
peixes do mar
Festa
do caju
Redinha
clube
Saúdam
os pescadores
Trabalhadores
do mar
Nos
dias de folga
Saborear
Ginga
com tapioca
No
mercado
Na
barraca de dona Zefinha
Ao
abrir o baú das minhas memórias
Encontro
a Redinha de tantas
Histórias.
(Luciano
Capistrano)
![]() |
| Da Redinha ver-se ao longe o Forte dos Reis Magos, década de 1920 |
Ao
finalizar, este “curto” artigo, chamo a atenção, amigo velho,
para a importância da preservação da memória deste antigo bairro da urbe: A Redinha, como
diz Câmara Cascudo, em uma de suas Acta Diurna, tem registro no mapa
de Joanes de Laet, de 1633, onde já é indicado, no referido mapa, a
localização de um povoado de pescadores. Este é o desafio, fazer
os caminhos de preservação da história para além da Antiga Ponte
de Igapó.
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