terça-feira, 30 de maio de 2017

O Progresso...

Antigo Hotel Reis Magos




O Progresso...

O progresso chegou,
Derrubamos o Machadão,
O progresso não para...
Derrube-se o antigo Hotel Reis Magos,
O progresso continua...
imploda-se o Teatro Sandoval Wanderley...
O progresso...
Faça-se uma urbe sem memórias!
(Luciano Capistrano)


Foto: acervo A Republica - Monumento aos Atletas -  Estádio "Castelão".





sábado, 27 de maio de 2017

Diante das adversidades da vida, o que fazer? Eu escrevo, eu paro e olho o pôr do sol!!

Foto: Luciano Capistrano - Parque da Cidade


A vida requer ...

A vida requer esperança
Esperanças alimentam o querer viver
A vida requer amar
Amores alimentam o querer viver
A vida requer felicidade
Felicidades alimentam os dias
A vida requer saudade
Saudades alimentam os dias
A vida requer amizade
Amizades alimentam os “eus” “
A vida requer sonho
Sonhos alimentam os “eus”
A vida requer coragem!
(Luciano Capistrano)

Foto: Luciano Capistrano - Parque da Cidade


Foto: Luciano Capistrano - Santuário de Santa Rita de Cássia


Foto: Luciano Capistrano - com o celular, um olhar sobre a UFRN

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Araceli e o Brasil das infâncias perdidas

Araceli e o Brasil das infâncias perdidas
Luciano Capistrano
Professor: Escola Estadual Myriam Coeli
Historiador: SEMURB/Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte

Ruas vazias de gente
Ruas vazias de gente
Cadê as cadeiras na calçada?
Cadê a conversa na esquina?
Cadê as brincadeiras de tica?
Cadê as ruas de minha infância?
Ruas vazias de gente
Onde o medo fez morada
Do transeunte indiferente
Dos lobos solitários
Se fez lugares de perigo
As ruas vazias de gente!
(Luciano Capistrano)

Há 44 anos, em um 18 de maio, era violentamente assassinada a criança Araceli Cabrera Sánchez Crespo, vitima do mundo obscuro das drogas, com a complacência dos desmandos do submundo dos órgãos de segurança alimentados pelas relações promiscuas, entre parcela das policias e setores da elite, alçados ao poder com o golpe civil militar de 1964.
Aos oito anos de idade, Araceli, teve seu corpo desfigurado por ácido e com marcas de extrema violência e abuso sexual. O crime chocou o Brasil, a noticia da menina desaparecida e encontrada morta seis dias depois, extrapolou as fronteiras do Espirito Santos. 
Paulo Constanteen Helal e Dante Michelini, seus algozes, saíram impune.
Amigo velho, guardo as noticias deste caso, na memória, eu criança,recordo das conversas dos meus pais sobre este assunto, o rádio e a televisão com as reportagens e tempos depois o livro relato deste trágico homicídio,  "Araceli, Meu Amor", José Louzeiro, em seu livro reportagem, apresenta o passo a passo do calvário vivido por Araceli. Segundo Louzeiro, como decorrência deste caso, ocorreram 14 homicídios, uma verdadeira "chacina" das possíveis testemunhas aptas a revelar os assassinos, queimaram os arquivos, tudo fizeram para levar o caso a triste estatística da impunidade.
         A Lei N° 9.970, sancionada em 17 de maio de 2000 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, instituiu o dia 18 de maio como o  Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Deste modo, por iniciativa originária da Deputada Rita Camata, o dia da morte de Araceli, o 18 de maio, passou a ser um dia de mobilização contra a exploração sexual de crianças e adolescentes.
Ao trazer essa temática a baila, faço uma provocação para refletirmos sobre a situação das crianças e adolescentes em nosso país, de maneira que antes da critica ao Estatuto da Criança e ao Adolescente, vejamos as condições posta quando nos referimos a proteção integral dos jovens, como anuncia o Primeiro Artigo do ECA: "Esta Lei dispões sobre a proteção integral à criança e ao adolescente". 
Ao afirmar "proteção integral", já se faz uma significativa diferenciação entre o ECA e o antigo Código do Menor. O novo instrumento legal, não deixa duvidas, a finalidade é garantir todos os direitos para abranger todas as necessidades para o pleno desenvolvimento da personalidade da  criança e do adolescente.
Infelizmente em nossas cidades, ainda, existem diversas "Aracelis", meninas e meninos em situação de riscos. Nesta guerra com a triste cifra de quase 50.000 homicídios anuais, uma considerável parcela de vitimas, são as crianças e adolescentes das periferias, em sua maioria, retrato da situação de crescimento do tráfico que tem nos jovens as maiores vitimas, seja atuando para o tráfico, seja como usuário.
Finalizo, dizendo ser preciso ESPERANÇAR, não podemos perder nossas "aracelis" para as "bocas", hoje, não mais exclusivas das grandes cidades, mas, espalhadas por todo o território nacional, do menor município até a metrópole.  Este "Araceli e o Brasil das infâncias perdidas" é apenas um convite em forma de provocação, para deixarmos de criticar, algumas vezes criticas até pertinentes, o ECA, para fazermos acontecer de fato a PROTEÇÃO INTEGRAL DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES, seja uma realidade de todos, das áreas centrais das cidades e das periferias, o movimento tem de ser da INCLUSÃO e não da EXCLUSÃO.,





domingo, 14 de maio de 2017

Arquivos públicos e privados: uma reflexão!

Arquivos públicos e privados: uma reflexão! ¹
Luciano Capistrano - lulahisprofessor@gmail.com
Professor: Escola Estadual Myriam Coeli 
Historiador: SEMURB/ Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte 



Na pesquisa histórica, a relação do historiador com o documento não é uma ação de neutralidade. A fonte histórica fala com a voz do pesquisador, com toda a subjetividade de quem olha o passado com o olhar do presente. Aqui não é nossa intenção fazer uma reflexão historiográfica, e, sim, trazer a reflexão, sobre nossos arquivos e seus acervos, para a ordem do dia. Compartilhar das angústias, de quem se sente impotente, diante do descaso que teima em persistir quando o assunto é preservação de vestígios do tempo passado. Este é o objetivo deste artigo. 
O historiador, por seu ofício, dialoga permanentemente com o passado. Este fazer histórico o leva a andar entre arquivos públicos e privados, buscar construir os caminhos e descaminhos das gerações passadas é a tarefa primeira. Um labutar, por entre, poeiras, revirando velhos manuscritos, documentos, hoje, fontes que dizem mais do que uma carta de amor ou um balancete comercial. O objeto pesquisado não exerce a mesma função de outrora. No tempo presente o olhar do historiador, dá “voz” ao passado através de sua interpretação do documento selecionado.  
O encontro do documento é um dos momentos de maior felicidade do historiador. Como bem lembrou o professor Carlos Bacellar (2006): “o trabalho com fontes manuscritas é, de fato, interessante, e todo historiador que entra por essa seara não se cansa de repetir como os momentos passados em arquivos são agradáveis”. 
Realmente, a descoberta, o encontro com o passado através dos achados realizados nos arquivos é de uma imensa alegria. Saber que um álbum de fotografias, pode dizer muito dos valores constituídos de uma determinada sociedade, em uma determinada época, são fundamentais na construção da história.  
Nossa cidade Natal, como o Brasil, carece de uma política de valorização dos arquivos, como espaços guardiões de nossa memória. Nestes lugares, apesar da boa vontade dos seus funcionários, falta infraestrutura e equipamentos adequados para a conservação do acervo. 
Um exemplo, bem ilustrativo, da situação destes lugares de memória, são o arquivo Público Estadual e o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Volto a repetir, meu caro leitor, nossos arquivos contam com profissionais comprometidos na preservação da documentação pertencentes aos seus acervos.   
Acervos em situação de risco. Coleções de jornais, manuscritos, fotografias, livros de óbitos, diversos tipos de documentos, enfim, encadernados, mas impossibilitados de serem consultados, pois, o estado em que se encontram correm riscos de abertos, se desmancharem, virarem pó. 
Urgente faz necessário, desenvolver políticas públicas referentes a preservação dos acervos guardados nestes lugares de memória. Os arquivos públicos ou particulares, não podem ser tratados como, “lugar de mortos”, e sim “lugar de vivos”. Espaços em que encontramos o pulsar das gerações passadas, fazedores do amanhã. Aos órgãos de preservação da memória nacional, resta efetivar uma política de salvaguardar os acervos deixados por nossos antepassados. Uma política que contemple dois vieses: a organização dos arquivos e o desenvolvimento de Educação Patrimonial. Deste modo, o indicativo infraestrutura e educação caminhando de mãos dadas na guarda dos “tesouros da história”. 

  Não deixemos, então, as traças devorarem a nossa memória.



Em um dos momentos no Arquivo Publico Estadual - Natal/RN 


1. Artigo publicado originalmente no "Café História" , hoje (2017) o IHGRN, está passando por uma reforma, temos esperança de melhoras nas adequações do acervo, e, o arquivo estadual continua a espera de uma ação nas instalações acervo, o que passa pela instalação em um prédio próprio.

sábado, 13 de maio de 2017

FEIRA - Meu Olhar Sobre a Feira de Nova Natal

Foto: Luciano Capistrano - Meu Olhar sobre a Feira de Nova Natal


FEIRA¹

Domingo é dia de feira
Corre Chegança
Entre bancas
Cabloquinhos
Escorrem vidas
De Boa Esperança.
(Luciano Capistrano)


Foto: Luciano Capistrano - Meu Olhar sobre a Feira de Nova Natal



Foto: Luciano Capistrano - Meu Olhar sobre a Feira de Nova Natal



Foto: Luciano Capistrano - Meu Olhar sobre a Feira de Nova Natal






1. Obs: Sonho, exposição poética e fotográfica!!

domingo, 7 de maio de 2017

Cidade lugar da topografia do impossível: uma reflexão

Cidade lugar da topografia do impossível: uma reflexão
Luciano Capistrano
Professor: Escola Estadual Myriam Coeli
Historiador: Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte



Cidade

Neutralidade não há,
Transeuntes do tempo,
Agito, multidões, mobilidade urbana,
Sons incompreendidos,
Pedestres sem ruas,
Trânsito ordenado/desordenado,
Espaço público/privado,
Camelôs, calçadas dormitórios,
Moradores de rua, plena barbárie humana,
Dizem progresso, gritam modernidade,
Ciclovias sonhos possíveis,
Planos, reformas urbanas, especulação imobiliária,
Ocupação desordenada/ordenada,
Praças, áreas verdes, sonhos de preservação imagináveis,
Logradouros de memórias, dizem de história,
Patrimônio cultural em risco de tombamento,
Cidade lugar da topografia do impossível.
(Luciano Capistrano)

A cidade tem se transformado em lugares de medo, a muito perdermos o direito de conversar nas calçadas, das crianças brincarem nas ruas, de andarmos a qualquer hora do dia ou da noite. Diante dessa situação, erguem-se as "cidadelas", condomínios fechados, onde a "muralha" trás para quem pode pagar, o direito de caminhar, pedalar, conversar de portas abertas, e, até deixar na área aberta a bike depois de uma hora de exercício pedalando nas ruas do condomínio.
Fui criança na Vila Mauricio, nas Quintas, margem fronteiriça com o Bairro do Alecrim, corri na rua em dias de chuva ou de sol, brinquei nas imediações da linha férrea, joguei bola, o velho mirim, na avenida 12, uma infância sem o medo de "balas perdidas", o que nos assustava era um tal de carro preto a pegar as crianças com o objetivo de tirar o figado dos inocentes e levar para uma tal de Viúva Machado. Tempos das inocências, hoje, perdidas.

Carrinhos de latas

Carrinhos de latas
Me fizeram criança
Feliz na feira do Carrasco
Sonhava ser caminhoneiro,
Motorista de ônibus ou de ambulância.
Lá corria, as latas pesadas com areia
Puxadas por cordões
Me faziam alegre menino
Aos berros mamãe dizia:
Não corre menino, tu vai cair menino!!
E o menino?
O menino ficou na vila Maurício
Lá na 12 do tempo do seu Albano,
Seu Kerginaldo, dona Neném,
Lourdinha e tantos outros
Adultos do tempo de minhas criancices,
Bola de gude, amarelinha, tô no poço ...
Há meus tempos de criança, hoje (Ah!)
Memórias, apenas memórias!
(Luciano Capistrano)

O viés da segregação espacial tem contribuído para a situação de agravamento da ideia de "superioridade" social, étnica e cultural, o que acredito ser um fator, não determinante, mas gerador de um terreno fértil para o crescimento da violência. As áreas distantes dos centros economicamente importantes da urbe, geralmente são caracterizadas pelo abandono do poder público, são lugares marcados pela falta de infraestruturas, cenário de ausência do estado, basta vê as quadras esportivas e praças entregues ao abandono, e, deste modo facilitando a entrada de drogas ilícitas no seio da juventude, aumentando, assim, a insegurança vivida nas cidades. 
A uma movimentação em busca dos espaços fechados, o sonho é deixar as cidades "abertas" e ir para os "enclaves fortificados".Sobre essa situação, nos esclarece a professora Maria Sposito:

Essa dinâmica de afastamento socioespacial [...] tem gerado, também, piora da situação geográfica dos mais pobres, que tendem a se afastar mais e/ou a se precarizar no processo de encontrar uma solução para seus problemas de moradia. Em grande parte, seja pelo afastamento espacial, seja pela piora das condições residenciais, essas lógicas de produção do espaço convergem para situações em que [...] a segregação socioespacial pode se estabelecer ou se aprofundar. [...] A delimitação do grupo dos "de cima" ou dos "de baixo" é sempre relativa, por isso as duas faces - os que segregam aos outros e os que, por opção, segregam-se - compõem um mesmo processo. (SPOSITO, Maria Encarnação Beltrão. Segregação socioespacial e centralidade urbana In A cidade contemporânea: segregação espacial. Organização VASCONCELOS, Pedro de Almeida; CORRÊA, Roberto Lobato; PINTAUDI, Silvana Maria. São Paulo: Editora Contexto, 2013, p.69)

A ocupação urbana transformou-se ao longo do tempo, e, claro a delimitação territorial sempre determinou este processo, o valor da terra é um fator importante na construção socioespacial, o historiador Câmara Cascudo em sua História da Cidade do Natal, chamava a atenção dos gestores publico para o mercado de terras do Alecrim, na década de 1940, pois, segundo Cascudo, a supervalorização dos terrenos expulsaria daquela localidade a gente mais humilde, já o professor/urbanista Pedro de Lima, em seu Natal século XX: do urbanismo ao planejamento, afirma da tendencia excludente dos planos de intervenção urbana implantados em Natal a começar pelo Plano Polidrelli, ao criar o bairro de Cidade Nova, hoje Tirol e Petrópolis, aponta a segregação espacial urbana.
O desafio é construir caminhos inclusivos, quebrar este viés segregacionista, e, fazer da cidade o lugar do CIDADÃO, como fazer? Esta é a questão colocada na pauta do dia, pois, é na cidade que moramos, claro é óbvio dizer isso, agora amigo velho, as vezes nos falta olhar justamente para o óbvio, as ações de ocupação das praças, ruas, quadras esportivas, calçadas, em muitos casos necessitam de pequenas atitudes, então, ou fazemos o traçado diferente da exclusão, ou, viveremos nos "enclaves fechados", com medo de andar nas ruas, pois as cidades estão sitiadas.

Cidades sitiadas

Cidades sitiadas o perigo anda ao lado,
 viver com medo de ir e vir, 
 no caminho da padaria uma morte anunciada,
 pedras, cracks, tráfico, sistema em rota de colisão.

Lugares de medo, uma simples caminhada
 encontra um algoz, uma bala, um corpo
 no asfalto, vidas interrompidas.

Cidades sitiadas, erguem se muralhas
 cercas elétricas, falam nas esquinas
 bandido bom é bandido morto,
 se alvoroçam grupos de extermínio, 
 ilusões de dores que sangram vidas,
 cidadãos encurralados procurando saídas.

50. 000 mortes violentas, país descendo a vala,
 palavras sem poesias, cruas, como cruel é a vida,
 reverter os números de tanta brutalidade,
 justiça eficiente, ágil; polícia inteligente, equipada.

Cidades sitiadas, cidadãos indignados gritam:
-  Paz, paz, queremos paz, queremos
 construir uma cultura de paz, utopia?
(Luciano Capistrano)

Enfim, façamos o dialogo sobre nossas cidades, sobre a ocupação de nossas praças e ruas, sobre "cidades abertas" ou "cidades fechadas", Afinal, Cidade lugar da topografia do impossível, tem de florescer nos diversos espaços, as "ágoras" tem de se multiplicarem, não mais como centro de participação dos "iluminados", dos tempos da antiga Grécia, mas aberta a livre participação do cidadão, para além do calendário eleitoral. 

sábado, 6 de maio de 2017

Meu olhar - Escola Estadual Myriam Coeli

Foto: Luciano Capistrano - Meu olhar sobre a Escola Estadual Myriam Coeli

Meu olhar - Escola Estadual Myriam Coeli

Uma escola
Não uma escola qualquer
Minha escola
De sua patrona
Se fez poesia
Crua, viva
Feito
Palavras-poemas
Ditos por Myriam Coeli
Em corredores
De dores
E alegrias.
(Luciano Capistrano)

Foto: Luciano Capistrano - Meu olhar sobre a Escola Estadual Myriam Coeli






A esperança se vestiu de cinza.

  A esperança se vestiu de cinza.               Aqui faço um recorte de algumas leituras que de alguma forma dialogam sobre os efeitos noc...