domingo, 25 de outubro de 2020

25 de outubro é o dia da DEMOCRACIA

           25 de outubro é o dia da DEMOCRACIA!

Luciano Capistrano

Professor de História: Escola Estadual Myriam Coeli

Mestrando: Profhistória/UFRN

 

A palavra

Silenciada

Não é palavra

É calabouço.

(Luciano Capistrano)

 

      A história recente do Brasil tem as marcas do autoritarismo, do pau de arara, da tortura, dos simulacros de suicídios, da perseguição da polícia política, me refiro aos obscuros anos da ditadura civil/militar. Centenas de vidas foram ceifadas nas celas frias às margens da legalidade. Estruturas repressivas foram criadas no submundo do estado, um verdadeiro estado paralelo submergiu na escuridão que abateu sobre a democracia brasileira.

     O dia 25 de outubro é o dia da DEMOCRACIA, uma referencia ao assassinato do Jornalista Vladimir Herzog, ocorrido nas dependências do DOI-Codi do II Exército no ano de 1975. A farsa de sua morte logo foi desmascarada. A foto do fotógrafo Silvaldo Leung Vieira, na época funcionário da policia civil de São Paulo. Com a publicação da foto, caiu por terra a versão oficial de suicídio.

    Foto: Silvaldo Leung Vieira


Vladimir Herzog morto, o Exército divulgou a foto de Silvaldo Vieira com a versão de suicídio, a própria fotografia era um testemunho da falsidade contida no comunicado oficial. O impacto da morte de Herzog fez a sociedade brasileira despertar do estado de letargia vivido sobre o manto dos governos dos generais presidentes. Cresceu no meio social os movimentos por redemocratização da sociedade brasileira.

Nestes tempos confusos, onde o Presidente Jair Bolsonaro, faz elogios a um torturador, Brilhante Ustra, é necessário celebrarmos o dia da DEMOCRACIA, para reafirmarmos o papel democrático de nossa Constituição. Evocamos o discurso do Deputado Ulisses Guimarães, feito na solenidade de proclamação da Constituição de 1988: “A sociedade foi Rubens Paiva, não os facínoras que o mataram”. Enfim, a sociedade brasileira foi Rubens Paiva, Vlademir Herzog, Zuçeika Angel, Anátalia Alves, Luiz Maranhão Filho... e não os facínoras que os mataram.

25 de outubro é o dia da DEMOCRACIA!

 

 

 

 

 

sábado, 10 de outubro de 2020

 


Do álbum de família: tempo eternizado num click.

Luciano Capistrano

Professor de História: Escola Estadual Myriam Coeli

Mestrando: Profhistória/UFRN



Ao folhear um álbum de família encontramos afetos, são cliques a dizerem das alegrias, das dores, das emoções vividas, e, de memórias eternizadas, muitas vezes nas páginas amareladas ou em molduras quebradas. São as fotografias expostas na sala de visitas,  no quarto de dormir, ou perdidas em um canto escuro da casa. Gosto de sentir a emoção ao olhar velhos e empoeirados álbuns. Nestes tempos modernos, o papel fotográfico, virou um “logaritmo”, transformou-se num “objeto” digital, algo solto nas nuvens. São muito os encontros nas redes sociais de fotos antigas, retiradas de antigos álbuns fotográficos, digitalizadas permanecem as memórias afetivas.

Ver essas imagens é uma rica experiência é um:

Exercício fascinante é o de resgatar os nomes, hábitos e o dia-a-dia dos moradores que habitaram determinada casa que vemos nas antigas fotos das cidades; detalhes sobre a arquitetura das edificações, o traçado das ruas, a vegetação ornamental; particularidades acerca das atividades do comércio através das placas das fachadas; os cartazes promocionais anunciando algum produto medicinal ou alguma apresentação teatral; o tipo de transporte urbano; a calma de certas ruas e o burburinho e outras, a moda, o gesto, um certo ritmo no andar, a malícia no olhar… o comum e o suspeito, o explicito e o implícito. É o espetáculo da cidade, identificável pela aparência gravada na imagem fotográfica: precioso documento, que preserva a memória histórica. Trata-se, contudo, de um espetáculo misterioso em sua trama, em seus códigos, em seus símbolos, naquilo que esconde intra-muros, nos seus segredo não revelados […] (KOSSOY, Boris. Realidades e ficções na trama fotográfica. Cotia/SP: Ateliê Editorial, 2012, p.129-130).

O desvendar dos mistérios contidos nas fotos de antigos álbuns é mesmo fascinante, são memórias saídas dos “intra-muros” dos aquivos particulares ou públicos a apresentar um passado que diz das vidas privadas mas dizem da urbe, assim, andar por este mundo de “clicks” é pisar no solo pantanoso da história. 

Finalizo este curto artigo com o registro fotográfico do acervo familiar do poeta Carlos Gurgel. Na foto da esquerda para a direita seus irmãos Fernando, Gerdenia, Sérgio e Carlos, ao centro o seu pai Deífilo Gurgel, em um dia de 1963 ou 1964, nas margens da Lagoa Manoel Felipe. Ao olhar essa imagem, me chama atenção o espaço, o entorno dos personagens, retratados. Claro que a presença do grande pesquisador de nossa cultura, Professor Deífilo Gurgel, ladeado por seus filhos, nos permite também pensar no ser humano despido das vestis do intelectual. Na foto encontramos o pai e os filhos. O “parque ambiental” ou o “central park” da cidade de Natal, ainda com sua cobertura verde, deveria ser agradável brincar ao redor da lagoa embaixo das árvores. Do álbum de família: tempo eternizado num click.


Foto: Acervo Carlos Gurgel - da direita para a esquerda: Fernando, Gerdenia, Sérgio e Carlos, ao          centro o seu pai Deífilo Gurgel,

domingo, 4 de outubro de 2020

Sobre uma cidade de letras e artes… mas é sobretudo: liberdade.

Sobre uma cidade de letras e artes… mas é sobretudo: liberdade.

Luciano Capistrano

Professor de História: Escola Estadual Myriam Coeli

Mestrando: Profhistória/UFRN

Meu pai um leitor voraz, me conta histórias de uma Natal da época da administração do Prefeito Djalma Maranhão. Diz papai das Praças de Cultura e das Feiras de Livros, realizações de uma gestão com o olhar e ações voltadas para a disseminação das artes entre a população de Natal. Eram todos os recantos da urbe inseridos nestes projetos de cultura. Desde sempre me encantou a ocupação dos espaços públicos com estes tipos de ações, as Praças de Cultura, então, eram lugares encantados, encontros de gente com a cultura identidade do povo Potiguar.

Nestes tempos de campanha eleitoral, onde escolheremos os ocupantes do Palácio Frei Miguelinho e o ocupante do Palácio Felipe Camarão, precisamos fazer essas inquietações em voz alta, dialogadas, sobre os caminhos da urbe. A cidade que queremos tem de ser ditas nas ruas, nas esquinas, nos lugares de trabalho, nas áreas de lazer, nas praças… enfim, em nossas conversas o tema das escolhas da composição do  legislativo municipal e do chefe do executivo municipal, faz necessário. Num exercício democrático: pensar os rumos da urbe para além do período eleitoral.

Ao fazer esse caminhar nas escritas das memórias, me encontro com “Imagens do Tempo”, de Edgar Barbosa. Em sua escrita, o jornalista de Ceará-Mirim, com toda intensidade humanística de seus textos, nos permite uma viagem ao tempo das Feiras de Cultura, das Praças, dos Folguedos populares, da Galeria de Arte… das alegrias de um tempo estampado nas conversas com papai e seus amigo/clientes do Sebo Cata-Livros  da rua da Conceição. 

Edgar Barbosa nos convida ao ano de 1957, um convite a reflexão sobre o significado das Feira de Livros, patrocinadas pela Prefeitura, um convite para nos inquietarmos diante dos obscuros regimes totalitários. Sobre uma cidade de letras e artes, mas é sobretudo: liberdade. Assim:

O poder de duvidar não é menor que a faculdade de crer – e pela capacidade de um povo sentir isso é que se deve estimar seu patrimônio de liberdade. Quanto mais livros cheguem às mãos do povo – permiti-me, afinal, essa tirada à Castro Alves – mais valorizado se torna o esforço do pensamento, mais audaciosa sua vocação crítica, mais viril seu animo de encarar o perigo e sofrer a adversidade. 

[…]

Por tudo isso, esta feira inicia um capitulo inteiramente novo da história de Natal: o da popularização do livro no ambiente de rua […] imaginando as próximas Feiras de Livros de Natal, neste mesmo Grande Ponto que hoje recebe, como fortaleza do pensamento livre, sua bandeira e sua artilharia. (BARBOSA, Edgar. Imagens do tempo. Natal: Imprensa Universitária, 1966, p. 94-95).


O tempo passou, sobre aquele dezembro de 1957, da primeira Feira de Livros de Natal caiu a escuridão totalitária, e, o Prefeito das Praças de Cultura, desceu as escadarias do Palácio Felipe Camarão preso. Era um “mar de chumbo” a interromper as ações realizadas por Djalma Maranhão, assim descreveu o fatídico 2 de abril de 1964, o professor Moacir de Góes:

[…] Entre soldados do Exército, Djalma Maranhão, descia as escadarias da Prefeitura. Corri à janela e vi o meu Prefeito sendo embarcado num Jeep militar, Gravado no Jeep o selo que indicava a doação do veículo ao Exército pela “Aliança para o Progresso”. Terrivelmente simbólico e revelador”.(GÓES, Moacir de. Sem paisagem: memórias da prisão. Natal: Sebo Vermelho, 2004, p.37). 


A Natal das Feiras “livres” de Livros, pousem nas memórias da cidade banhada pelo rio Potengi, e, seja uma recordação da importância de se pensar projetos de inclusão cultural, fiquemos com a lembrança fotográfica, tão simbólica, da Galeria de Arte, erguida na Praça André de Albuquerque e  destruída tempos depois, talvez na vã intenção de apagar da memória de Natal vestígios dos tempos do Prefeito Djalma Maranhão. Lembrar é preciso!



     Fonte: Galeria de Arte - Praça André de Albuquerque - Acervo DHNET.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

 Natal perdeu ou ganhou a Segunda Guerra Mundial?

Luciano Capistrano

Professor de História: Escola Estadual Myriam Coeli

Mestrando: Profhistória/UFRN

 

 

            Como professor de história, sempre me questionei sobre Natal e a Segunda Mundial. Como era a cidade? Quais os impactos causados nos arrabaldes da cidade provinciana? Uma urbe transformada em Trampolim da Vitória, cenário da aviação mundial. Qual cidade surgiu depois do encontro dos Presidentes Roosevelt e Vargas na Rampa? Sobre essas consequências dos tempos de guerra para a urbe o historiador da província, Câmara Cascudo nos deixa umas pistas em sua História da Cidade do Natal:

 [...] Alecrim, com suas avenidas retangulares, sua extensão em claridade, sua possibilidade de desdobração, aparece como um milagre de previsão dos velhos e acusados administradores antigos. O crime, cruel e tenebroso crime da displicência administrativa, é sujar todo esse cenário luminoso entregando a terra da gente morar a quem quer apenas vender. (CASCUDO, Luís da Câmara. História da Cidade do Natal. Natal: EDUFRN, 2010, p. 31)

             Ao observar a cidade de Natal suas romarias para além das Quintas, seus recantos nascidos às margens dos sons das aeronaves norte americanas a cortarem os céus de Ponta Negra a Redinha, constato que perdemos a guerra. Sim, Natal perdeu a guerra! Aquela cidade pacata, com cheiro e sons de província, impactada com a mobilização militar nunca vista em solo potiguar. Militares, jornalistas, empresários, gente do universo de Hollywood... gente de outras paisagens do Brasil... todos, homens e mulheres, de algum modo atraídos para a terra Potiguar, vindos e trazendo nas bagagens além de costumes, diversos, dinheiro e novas demandas. A província corria os trilhos de um progresso relâmpago de contingente populacional de aproximadamente 35 mil - no início da década de 1930 -, saltou para quase 100 mil habitantes no final da década de 1940. A Natal vivida por Cleantho Homem de Siqueira, descrita em seu livro, Guerreiros Potiguares, não era mesma pós a guerra:

À primeira vista, Natal apresentava-se com nítidas características de cidadezinha provinciana de vida modesta e pacata. Tinha pracinha com indispensável coreto em frente à matriz da santa padroeira, no caso, Nossa Senhora da Apresentação, venerada em novembro, com festa que dura nove dias, sendo encerrada com a tradicional procissão dos fiéis presidida pelo bispo diocesano Dom Marcolino Esmeraldo Dantas, muito respeitado e querido no seio do seu rebanho. A vida na cidade corria sossegada sem os atropelos da cidade grande. Durante o dia, todos se preocupavam com seus fazeres cotidianos. À noite, pegando a brisa suave do alísio, punham-se cadeiras nas calçadas para uma boa conversa até a hora do sono reparador. O cinema era uma opção alternativa para os amantes da arte cênica, enquanto os aficionados dos desportos se dividiam entre as tardes de futebol, praticado no campo da Liga, atual Juvenal Lamartine e animadas manhãs de regatas e competições de natação no Rio Potengi [...] (SIQUEIRA, Cleantho Homem de. Guerreiros Potiguares: O Rio Grande do Norte na Segunda Guerra Mundial. Natal: EDUFRN, 2007, p. 101).

             “Berlim, caiu, viva!”, “Berlim, caiu, viva!”, “Berlim, caiu, viva!”...

            Este grito a ecoar nas ruas da cidade, em esquinas, casarões e casebres anuncia o fim da guerra, vitória das nações democráticas contra o nazifascismo, motivo de alegria e festa em todos os cantos de Natal. A rendição da Alemanha representou a volta, para usar um termo do tempo presente, “ao novo normal” do mundo. Mas, os gritos de “Berlim, caiu, viva!”, não tem o mesmo significado para todos os moradores da cidade das dunas, banhada pelo atlântico e cortada pelo rio Potengi. Para muitos, o rio das Quintas, o rio Doce, o riacho do Baldo, a ladeira do cemitério, continuaria a ser lugar de idas e vindas, com feixes de lenhas na cabeça ou trouxas de roupas, depois de um dia de serviço. A vida era indiferente a queda de Berlim. Que Berlim era esse? Natal perdeu ou ganhou a Segunda Guerra Mundial?

            Se é verdade que para parte da população as noticias do fim do conflito foi algo indiferente, para todos os efeitos do fim do conflito mundial não tardou a ser sentido. A elite, política e econômica, natalense não preparou a cidade para o fim da guerra e a desmobilização de milhares de militares norte-americanos. A Base Norte Americana, construída em solo potiguar, responsável pelo envio de tropas e suprimentos dos EUA, principalmente para os militares/combatentes no norte da África, foi entregue as autoridades brasileiras, a mobilização dos militares desativada. Natal Trampolim da Vitória tinha agora novas demandas herdadas do período das noites de bleck-out.

            A narrativa de modernização do espaço urbano como resultado dos esforços de guerra e o crescimento econômico é uma questão a ser questionada, nem todos os habitantes da cidade alcançaram os “louros” dos tempos do Trampolim da Vitória. A historiadora Flávia de Sá Pedreira, nos apresenta o depoimento do Senhor Francisco de França Filho:

 “Eu lembro que quando cheguei em Parnamirim, com meu pai e minha mãe, eu tinha quatro anos de idade, 1940, já havia um ano antes a guerra começada, em 1939. E lá se deparamos com uma verdadeira floresta de cajueiros... cajueiro de tabuleiro... e foram chegando várias famílias e tal e não se tinha do que viver... Começamos a viver sob o lio dos americanos. Mas era uma riqueza o lio dos americanos, naquela época. Eu não sei se eles davam porque sentia falta de alimentação pra a pobreza... porque era tonéis grandes de banha de porco... e os porcos eram criados numa pocilga, lá em Pirangi, certo?” (PEDREIRA, Flávia de Sá. Chiclete eu misturo com banana: Carnaval e cotidiano de guerra em Natal 1920-1945. Natal: EDUFRN, 2005, p. 109)

             Gente como a família do Senhor Francisco, contribuíram para a Natal do período da guerra, muitos ergueram as paredes da base área norte americana, homens e mulheres em busca da sobrevivência, trabalho e moradia, aqui chegaram e construíram a urbe nos tempos de guerra. E o que ficou? Volto as minhas inquietações iniciais. E os investimentos realizados neste esforço militar? Qual a herança deixada em solo potiguar? A valorização do solo? Empregos ou desempregos?

            O Rio Grande do Norte palco importante durante a Segunda Guerra Mundial não foi inserida nos projetos de industrialização do governo Vargas. A região sudeste foi a contemplada com um processo de industrialização, cabendo ao Nordeste o papel, no máximo, de produtor de matéria prima.

            Natal viveu um crescimento econômico entre cortado com grave crise socioeconômica, motivo de uma ocupação desordenada da cidade com efeitos ainda sentidos na cidade do tempo presente. A Professora Giovana Paiva de Oliveira é bem clara sobre a situação da urbe diante dos impactos da guerra:

 A partir de 1942, a vida em Natal, para além das novidades e festividades, foi marcada pela carestia e inflação, pelo colapso do sistema de transporte e abastecimento de água, pela crise de abastecimento de gêneros alimentícios e racionamento de combustíveis, pela falta de habitação para atender à demanda instalada e pela especulação imobiliária. (OLIVEIRA, Giovana Paiva de. Natal em guerra: as transformações da cidade na Segunda Guerra Mundial. Natal: EDUFRN, 2014, p. 136)

             Os impactos da Segunda Guerra Mundial necessitam de novos olhares, existem eixos importantes para se pensar este grande evento ocorrido na cidade, transformada em Trampolim da Vitória. Hoje ao pisarmos o chão da Rua Chile, Rua Dr.  Barata, da Rampa e a cidade de Parnamirim encontraremos certamente vestígios dessa cidade trampolim. As minhas inquietações se referem ao que ficou à margem das mobilizações de recursos injetados na economia local, se de um lado ocorreu um progresso vertiginoso, por outro lado, o ônus das demandas sociais não foi contemplado neste processo de “desenvolvimento”.

            A indústria do turismo cultural, segmento econômico, que poderia ser uma alavanca de geração de empregos e rendas, ao longo das diversas administrações do pós guerra não recebeu os cuidados necessários. A cidade conhecida em todo o mundo da aviação, e, a qual sediou a maior base norte-americana fora do solo dos EUA ainda engatinha na promoção de um roteiro turístico sobre a participação de Natal no contexto da Segunda Guerra mundial.

            Nestes tempos de eleições municipais, deixo minha inquietação: Natal perdeu ou ganhou a Segunda Guerra Mundial?


      Foto feita a partir da balaustrada da avenida Getúlio Vargas.


 

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Hoje sou GRATIDÃO

 Hoje sou GRATIDÃO!

 

 

"...

Se um dia eu pudesse ver

Meu passado inteiro

E fizesse parar de chover

Nos primeiros erros ah

..."

Era uma terça, o mês setembro do ano de 1968. Naquele dia 3 nasci, inciava minha trajetória neste plano terreno... Minhas lembranças chegam em flashes... chegam feitos ondas!

São vulcões de emoções, nestes 52 anos, ufa ultrapassei a margem do rio rio de minha aldeia... sigo navegando, as vezes em águas turvas, as vezes em águas límpidas...

"...

Vou chorar sem medo

Vou lembrar do tempo

De onde eu via o mundo azul

..."

A dor me acompanha nessa jornada, os medos... lembranças me fazem humano. Do amanhecer no Capim, terra do meu avô Júlio e minha avó Paulina, dos banhos no Bastião ao primeiro porre, a primeira paixão numa noite de chuva... beijos, abraços...lembranças são como o vento, brisas ou furacões...

"...

E ainda se vier noite traiçoeira

Se a cruz pesada for

"...

De tudo, entre encontro e desencontros... noite escura caiu sobre mim, era um domingo, 5 de novembro de 1995... quando te vi, tu já estava no banco de trás do carro, sangrava, eu não sabia, mas naquele momento tu meu irmão já estava sem vida... dor, é dolorido... como eu gostaria que tu estivesse aqui, nestes meus 52 anos, nestes meus renascimentos, sim, renascemos, renasci meu JOÃO RICARDO, parte de mim morreu contigo naquela noite escura...

"...

Quando estou com você

Sinto meu mundo acabar

Perco o chão sob os meus pés

Me falta o ar pra respirar

E só de pensar em te perder por um segundo

Eu sei que isso é o fim do mundo

..."

Há, há o mundo, foi generoso... quando me vi no abismo das incerteza, me apareceu a nega, a mãe dos meus Joãos,...

Era uma manhã de sol intenso, carros, buzinas, sinal fechado... cruzamento da avenida Rio Branco com a rua João Pessoa, nosso encontro, meu reencontro a felicidade e o início de um novo capítulo em minha vida... Hoje sou GRATIDÃO!

'...

Como esta noite findará

E o Sol então rebrilhará

Estou pensando em você

Onde estará o meu amor?

..."

(Luciano Capistrano, o avô de Flor de Liz - aos 3 de setembro do ano de 2020)



quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Profissão: HISTORIADOR/A

 

Profissão: HISTORIADOR/A

Luciano Capistrano

Professor de História: Escola Estadual Myriam Coeli

Mestrando: Profhistória/UFRN

 

            O dia 19 de agosto é o dia do Historiador/a, instituído em 2009, uma homenagem ao nascimento do Pernambucano Joaquim Nabuco, um abolicionista. Viveu nos tempos dos canaviais e usou de sua formação intelectual humanista para se opor a escravização negra. Este 19 de agosto é o dia para celebrar o Profissional responsável para lembrar os “esquecidos”, como a firmou Peter Buker: "A função do historiador é lembrar a sociedade daquilo que ela quer esquecer".

            Gosto de dizer que o desafio maior posto para o profissional do campo da história é enfrentar a legião dos negacionistas dos fatos históricos. Este é o desafio. Uma vigilância diária para aquelas teorias “conspiratórias” que negam a existência dos campos de “concentração” nazista; Negam os “Gulag” Soviéticos, dos tempos do stalinismo; Dizem “ditadurabranda” sobre os crimes cometidos pela ditadura militar/civil no Brasil pós 1964; Chegam a negar a “engrenagem” de moer gente, criada pelos portugueses durante o Brasil colonial, período da escravidão negra... enfim, cabe aos historiadores / historiadoras lembrar dos acontecimentos silenciados em narrativas negacionaistas.

            Nessa função é preciso termos alguns cuidados, o pântano que pisa o profissional da história é um campo minado. Neste sentido vale o alerta do Historiador Eric Hobsbawm: [...] eu costumava pensar que a profissão de historiador, ao contrário, digamos, do físico nuclear, não pudesse, pelo menos, produzir danos. Agora sei que pode. Nossos estudos podem se converter em fábricas de bombas, como os seminários nos quais o Ira aprendeu transformar fertilizante químico em explosivos [...] temos uma responsabilidade pelos fatos históricos em geral e pela crítica do abuso político-ideológico da história em particular. (HOBSBAWM, Eric. Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 17/18.

            É a partir deste pressuposto que se pauta o oficio do historiador/a, numa postura profissional com o compromisso social, claro não se deve pensar num ser distante do mundo, o novelo da história não é desenrolado por um ser extraterrestre, são seres humanos, neste sentido o perigo, digamos de contágios existem, mas devem serem fundamentados em evidencias documentais, as fontes são instrumentos imprescindíveis para lastrear de forma firme a narrativa histórica, dirimindo o máximo os jogos ideológicos simulacros de pesquisas históricas.

            Mas enfim, qual o papel deve desempenhar este profissional de história em sua comunidade? Qual deve ser as ações do Historiador/a no tempo presente? Fico com a resposta do Historiador Israelense Yuval Noah Harari: [...] Como historiador, não posso dar às pessoas alimento ou roupas - mas posso tentar oferecer alguma clareza, ajudando assim a equilibrar o jogo global. Se isso capacitar ao menos mais um punhado de pessoas a participar do debate sobre o futuro de nossa espécie, terei realizado minha tarefa [...] ( HARARI, Yuval Noah. 21 LIÇÕES PARA O SÉCULO 21. São Paulo: Companhia das Letras, 2019, p. 11.)

    O Tempo - Foto: Luciano Capistrano

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Historiador é PROFISSÃO: 12 de agosto de 2020, UM GRANDE DIA!

 

Historiador é PROFISSÃO: 12 de agosto de 2020, UM GRANDE DIA!

Luciano Capistrano

Professor de História: Escola Estadual Myriam Coeli

Mestrando: Profhistória/UFRN

 

No mundo de Clio

Entre poeiras do tempo

O olhar do presente

Se fez Historiador!

 

            Nesta quarta-feira, 12 de agosto, o Congresso Nacional derrubou o veto do Presidente Jair Bolsonaro ao Projeto de Lei 368/2009, que regulamenta a profissão de historiador. O Projeto original é do Senador Paulo Paim (PT/RS). Uma luta de muitos anos, desde a década de 1960 a discursão sobre o reconhecimento do profissional da história se arrastava entre idas e vindas no Congresso Nacional. Em 27 de abril deste ano, o Presidente Bolsonaro vetou integralmente o Projeto de Regulamentação da Profissão de Historiador, desde então os diversos setores do campo da história mobilizados através da ANPUH (Associação Nacional de História) ergueram suas vozes e escritas para a derrubada do veto pelos congressistas, o que aconteceu na tarde desse 12 de agosto.

            Faz necessário celebrar este dia, UM GRANDE DIA, não apenas para a ciência histórica e quem dedicou e dedica horas de estudos, desde a graduação em faculdades até os diversos cursos de formação continua ou nas pós graduações. Reconhecer o Profissional da História é reconhecer o conhecimento como instrumento necessário para a atuação a nível profissional nos diversos campos de saberes das atividades humanas. Não se concebe um médico sem ter uma formação na área da ciência médica, não se concebe um historiador sem ser concebido na área da ciência histórica.

            Um alerta importante, no corpo da Lei não se proíbe a pesquisa memorialística ou equivalente, mas se reconhece a importância deste profissional da história em pareceres sobre fatos históricos, assim, o estado brasileiro reconhece a formação acadêmica no campo da história como pré-requisito para o profissional da história.

            A regulamentação da Profissão de Historiador, é para os negacionistas uma pedra no caminho. Um caso clássico de negacionismo histórico é a negação do holocausto. Negaram o genocídio judeu, as câmaras de gás, os campos de concentração nazista. São os simulacros de revisionistas históricos acobertados pelo manto obscuro das teorias conspiratórias, tipo as que dizem, a “terra é plana” ou “o homem nunca foi a lua”, este é o fundamento de quem nega a ciência histórica.

            Em seu artigo 4º a Lei determina o campo de atuação do profissional da história:

Art. 4º São atribuições dos Historiadores:

 

I – magistério da disciplina de História nos estabelecimentos de ensino

fundamental, médio e superior.

II – organização de informações para publicações, exposições e eventos em

empresas, museus, editoras, produtoras de vídeo e de CD-ROM, ou emissoras de Televisão, sobre temas de História;

III – planejamento, organização, implantação e direção de serviços de

pesquisa histórica;

IV – assessoramento, organização, implantação e direção de serviços de

documentação e informação histórica;

V – assessoramento voltado à avaliação e seleção de documentos, para fins

de preservação;

VI – elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos

sobre temas históricos.

 

            São essas as atribuições do Historiador nos caminhos de Clio, depois de longos anos de formação nas Instituições de Ensino reconhecidas pelo MEC, conforme preconiza a Lei 368/2009. A derrubada do veto fez deste dia 12 de agosto de 2020, UM GRANDE DIA!

A esperança se vestiu de cinza.

  A esperança se vestiu de cinza.               Aqui faço um recorte de algumas leituras que de alguma forma dialogam sobre os efeitos noc...